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Manifesto

 

VAMOS SALVAR O JAMOR
BETÃO AQUI, NÃO!

NÓS, cidadãos e residentes deste país, manifestamos a nossa indignação, alertando para a aprovação do Plano de Pormenor da Margem Direita da Foz do Rio Jamor pela Assembleia Municipal de Oeiras. Plano esse que, em nome do negócio imobiliário, viola as leis ambientais e irá prejudicar a qualidade de vida da população. Entre outros aspectos merecedores de crítica, implicará:

  • a destruição da praia da Cruz Quebrada e a sua substituição por um aterro e uma marina, em violação clara das regras sobre ordenamento do território;
  • a possibilidade de construção de várias torres, algumas com 20 andares e dezenas de metros de altura, a escassos metros do Rio Tejo e da foz do Rio Jamor, constituindo um empreendimento que fechará o Vale do Jamor e o Complexo Desportivo Nacional do Jamor com uma autêntica barreira opaca de vidro e betão;
  • a impermeabilização a quase 100% da área destinada a construção, em violação clara de todas as boas práticas ambientais;
  • a descaracterização da frente ribeirinha da Grande Lisboa em zona verde e zona urbana histórica, com uma construção em altura completamente contrária à tipologia de construção existente e à conservação do património paisagístico;
  • a construção de vários edifícios e estruturas com um volume de construção de centenas de milhares de metros em pleno leito de cheia e com índices de construção de mais de 300% dos terrenos privados, instrumentalizando assim terrenos públicos para permitir índices de construção inauditos e em clara violação dos limites máximos permitidos para a zona;
  • a construção de edifícios para utilização permanente, nomeadamente habitação e serviços, numa zona atravessada por uma falha geológica, sujeita ainda a outros elevados riscos naturais (cheias, galgamentos marítimos e deslizamentos de terras) e que regista já actualmente um nível de ruído superior ao permitido por lei para este tipo de utilizações;
  • um aumento significativo da cota da margem direita da foz do Rio Jamor o que, combinado com a muralha impenetrável contínua que corresponderá aos pisos de estacionamento, agrava o risco de cheia na margem esquerda na zona urbana da Cruz Quebrada e do Dafundo, quer em termos de frequência, quer em termos de gravidade e risco para as populações;
  • um aumento significativo do trânsito em vias já há muito saturadas como é o caso da EN6 – Estrada Marginal (que verá reduzido o seu número de faixas) e da A5 (que perderá um ponto de entrada e de saída) e o consequente impacto desastroso na fluidez de tráfego em toda a linha de Cascais;
  • profundas alterações das dinâmicas sociais e da qualidade de vida na zona limítrofe, através da transformação de núcleos urbanos já consolidados, em particular a Cruz Quebrada e o Dafundo (mas também Algés, Carnaxide, Caxias, Linda-a-Pastora, Linda-a-Velha e Queijas), em guetos de pobreza e exclusão e com acesso impossibilitado (ou muito congestionado) às principais vias de comunicação e apreciável perda do estacionamento disponível;
  • uma operação de urbanização que viola o Plano Director Municipal do concelho de Oeiras, o Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana;

DECIDIMOS EXERCER O NOSSO DEVER DE CIDADANIA E LUTAR CONTRA ESTE PLANO DE PORMENOR PARA QUE:

  • Não se promova nem autorize a construção numa zona sujeita a elevadíssimos riscos naturais e em violação da legislação aplicável.
  • Se proceda à anulação imediata do Plano de Pormenor da Margem Direita da Foz do Rio Jamor.
  • Se garanta a defesa do interesse público e dos interesses das populações assegurando:
    • a remoção correcta e ambientalmente segura do amianto, a descontaminação dos solos e a limpeza dos terrenos da antiga área industrial e zonas adjacentes abrangidas pelo plano de pormenor;
    • a requalificação para fins de lazer e desportivos da praia da Cruz Quebrada e restantes terrenos abrangidos pelo plano de pormenor, numa dinâmica de continuidade do actual Complexo Desportivo Nacional do Jamor até ao rio e de melhoria da qualidade de vida dos milhares de pessoas que utilizam e residem na zona;
    • se necessário, a permuta dos actuais terrenos privados existentes na área do actual plano de pormenor por outros existentes no Concelho de Oeiras com eventual aptidão construtiva, tendo em conta o valor económico efectivo dos referidos terrenos no contexto da legislação aplicável;
    • um investimento efectivamente sustentável na região do plano de pormenor, que gere emprego e valor económico, no respeito pelo meio ambiente, pela legislação sobre ambiente e ordenamento do território e pelos interesses presentes e futuros das populações de Oeiras, da região metropolitana de Lisboa e do país;
    • a conservação da identidade da obra singular que é o Complexo Desportivo Nacional do Jamor, uma referência para a prática desportiva em família perfeitamente integrada na natureza e com livre acesso para toda a população da Grande Lisboa.

NÃO CRUZES OS BRAÇOS E JUNTA-TE A NÓS!
A DEFESA DO INTERESSE PÚBLICO É UM DEVER DE CIDADANIA.

13 thoughts on “Manifesto

  1. Resido no Alto da Cruz Quebrada desde há 40 anos e não posso concordar e aceitar o plano de urbanização para a foz do Jamor, não só pelas razões técnicas, ambientais e sociais acima referidas mas também porque sou contra a sistemática expansão de construções nas periferias de Lisboa para satisfação de interesses privados. Considero a posição da autarquia de Oeiras que, sobre anteriores programas de desenvolvimento cuidados e racionais que constituíram importantes incentivos à habitação no concelho de Oeiras, tenham sido desde à poucos anos subvertidos por grandes projetos de construção na área da Cruz-Quebrada e do Dafundo – condomínio a sul da Rua da Mata de S. Mateus (que terá certamente uma 2.ª fase), a cidade do futebol nos limites do parque florestal e agora o projeto da foz do Jamor – todos conduzindo a um tremendo isolamento e encravamento das povoações existentes para além da situação já existente. Tudo deve ser feito para bloquear as decisões da autarquia para a obrigar a cancelar este projeto megalómeno substituindo-o por algo mais adequado aos uso e tradição do local. Para que servirá a propaganda feita sobre as muito válidas ligações pedonais entre a praia da Torre e Algés, para agora as intersectar com um mono como o proposto.
    Melhores cumprimentos
    António Santiago Baptista

  2. É LAMENTÁVEL COMO A AUTARQUIA TENTA DAR CABO DE UMA ZONA VERDE,
    PRÓXIMO DE UM COMPLEXO DESPORTIVO, E EM CIMA DA LINHA DE ÁGUA EM
    ZONA DE CHEIAS.
    AONDE ESTÁ A ENTIDADE DO DOMÍNIO PÚBLICO MARÍTIMO?NÃO TEM NADA A DIZER? E O MINISTÉRIO DO AMBIENTE? JÁ FOI OUVIDO?
    PORTUGAL JÁ ESTÁ Á VENDA HÁ MUITO TEMPO, AGORA FALTA VENDER AS MARGENS DO TEJO.

  3. Já basta a Federação Nacional de futebol vir aqui assentar arraiais com uma obra descomunal! Mais construção em Caxias, não!!
    Vamos dar as mãos pela cidadania e interesse púbico dos cidadãos e dizer não aos “patos bravos” e ao interesse imobiliário que tanto tem feito para destruir a paisagem urbanística em Portugal.
    Obrigado pelo movimento!

  4. Concordo absolutamente com todos os que como eu não querem ver o Jamor transformado numa zona para ricos, com enormes edifícios de betão… O impacto social e ambiental seria terrível. Há que reunir forças para lutarmos contra quem nos quer impingir o que dá dinheiro, mas não tranquilidade de espírito, nem confiança… É necessário apelar à consciência e ao bom senso de quem quer transformar o Jamor numa zona de lazer para ricos, esquecendo , como sempre se tem feito neste país, a opinião das pessoas , do povo que há anos habita nesta região. O Jamor não é deles…é de todos…é nosso!

  5. Se é como afirmam no manifesto que tive a oportunidade de ler, a situação é bastante
    mais grave do que à primeira vista parece. Reduzir para uma faixa a EN 6 (Marginal), não lembra ao diabo, daí ficar na dúvida se é efetivamente assim. Se fôr, o que eu duvido, o manifesto deve ir mais além, deve-se bater também pela demissão imediata dos responsáveis, nunca mais poderem exercer cargos públicos. Tenham presente e é bom lembrar-lhes que exercem as funções que têm, porque foram lá colocados pelos eleitores, não são os DONOS DISTO TUDO. Além dos motivos expressos no manifesto, também se devem bater pela exclusão dessa escumalha.Há que ter presente que situações deste tipo são próprias de países atrasados, fraco nível cultural, nos países do Norte, tal não seria possível.
    Estou totalmente solidário com o movimento e disponível para o que se torne necessário faazer. Os meus cumprimentos. José Afonso

  6. Estou mesmo a ver como vai acabar a história. Daqui a 5 anos andam os tribunais a investigar quem fez um atentado tamanho ambiental. Por favor não comparem a envolvente do jamor com a zona da expo, daqui a pouco o melhor é dizer se Nova York tem grandes torres também as podemos ter. Se ao menos pode-se acreditar que
    a justiça em Portugal funciona e faz parar estes atentados à natureza.

  7. Autentico CRIME Ambiental. Para quê “N” Planos de Ordenamento? Afinal é só para consumir o dinheirinho dos contribuintes pois o seu conteudo é para meter na gaveta e esquecer. Mais um grande negocio para os amigos dos governantes. A cumplicidade parece ser enorme, caso contrário teriamos aqui não meia duzia mas sim milhares de comentários contra mais esta aberração de gestão. É uma tristeza!!

  8. Eu sou a favor do plano, acho que a zona merece prédios como deve ser, e merece ser modernizada.
    Mas claro que há e haverá sempre velhos do Restelo (ou da Cruz Quebrada) a querer parar a evolução, nada de novo.

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